quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O que é a Dieta Pegan?


"O que devo comer para se sentir bem, perder peso e permanecer saudável?" - esta é a pergunta que abre o artigo "Por que eu sou um Pegan - ou Paleo-Vegan - e por que você deve ser também!", do médico americano Dr. Mark Hyman. A resposta a esta pergunta, dada pelo Dr. Hyman, bem entendido, seria a Dieta Pegan, que, segundo ele, combinaria as abordagens Paleo e Vegan (Pegan = Paleo + Vegan). Mas como seria isso exatamente? Bom, o texto abaixo é a tradução livre (minha) de um trecho da página do blog do Dr. Hyman na qual ele explica os conceitos envolvidos na abordagem Pegan (coloquei o link para o artigo original logo abaixo para quem se interessar em ler mais sobre):

>> INÍCIO DA TRADUÇÃO DO TEXTO DO DR. HYMAN

"Concentre-se na carga glicêmica de sua dieta. Isso pode ser feito em uma dieta vegan ou paleo, mas fica mais difícil em uma dieta vegan. Concentre-se em mais proteínas e gorduras. Nozes (amendoim não), sementes (linhaça, chia, cânhamo, gergelim, abóbora), coco, abacate, sardinha, azeite de oliva. 
Coma as gorduras certas. Fique longe de a maioria dos óleos vegetais como canola, girassol, milho e, especialmente, óleo de soja, que agora compreende cerca de 10 por cento das nossas calorias. Foque, ao invés disso, nas gorduras omega 3, nozes, coco, abacate e até mesmo gordura saturada de animais alimentados com capim ou criados de forma sustentável. 
Coma principalmente plantas - montões vegetais e frutas de baixo índice glicêmico. Isso deve compor 75 por cento de sua dieta e de seu prato. (...) 
Concentre-se em nozes e sementes. Eles estão cheios de proteínas, minerais e gorduras boas e diminuem o risco de doenças cardíacas e diabetes. 
Evite produtos lácteos - é para o crescimento de bezerros em vacas, não para os seres humanos. Tente cabra ou de ovelha produtos e apenas como um deleite. E sempre orgânico.
Evite o glúten - (...) se você não for sensível ao glúten , então considere-o um deleite ocasional.
Coma cereais integrais sem glúten ocasionalmente - eles podem elevar o açúcar no sangue e podem desencadear autoimunidade.
Coma feijão com moderação - lentilhas são as melhores. Fique longe de grandes grãos de amido. Comer carne ou produtos animais como um agrado, e não como o prato principal. Leia The Third Plate por Dan Barber para compreender como mudanças em nossos hábitos alimentares poderia salvar o meio ambiente e a nós mesmos. Os vegetais devem tomar o centro do palco e carne deve ser um acompanhamento. 
Pense no açúcar como um deleite ocasional - em todas as suas várias formas (ou seja, use ocasionalmente e com moderação)."

>> FIM DA TRADUÇÃO DO TEXTO DO DR. HYMAN

O TEXTO ORIGINAL INTEGRAL você encontra aqui: 
http://drhyman.com/blog/2014/11/07/pegan-paleo-vegan/

MINHA OPINIÃO:

Pontos positivos:

O Dr. Hyman reúne conceitos bem interessantes na sua abordagem "Pegan" - o mais forte é, na minha visão, unir a preocupação com a saúde do indivíduo com a preocupação relativa à saúde do Planeta (sustentabilidade). A preocupação em promover a conscientização acerca da carga glicêmica dos alimentos, sobre o papel das gorduras "boas", etc. é, também, louvável e meritória, como todo profissional de saúde sabe muito bem. A flexibilidade da abordagem Pegan também chama bastante a atenção: no trecho acima fica claro, mesmo para quem não leu todo o artigo, que existe espaço para o uso ocasional de alimentos quase que universalmente considerados "ruins" pela blogosfera, mundial. Isso nos mostra que a moderação é a chave - e para muitas coisas da vida além da alimentação. 

Ponto(s) negativo(s):

Do ponto-de-vista de relações públicas, a Dieta Pegan me parece um beco-sem-saída. Existem aqui dois aspectos a considerar: e ambos ruins. Muito possivelmente, o público Vegan jamais entenderia a abordagem Pegan como algo remotamente parecido com a abordagem Vegan - que se abstém completamente de qualquer produto de origem  animal: carne, leite, ovos, etc. Por outro lado, o público Paleo, na minha visão, dificilmente a entenderá como uma modificação suficiente do estilo de vida Paleo para merecer um nome distinto ("Porque não chamar simplesmente de 'Paleo com menos carne'?", alguém poderia perguntar - "Low-Meat Paleo", quem sabe?). 

A despeito destas dificuldades, a Dieta Pegan tem tido alguma atenção na imprensa internacional e poderá, em breve, estar aportando por aqui, quem sabe? 

E você, qual a sua opinião? Por favor deixe nos comentários abaixo. Forte abraço!



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

"Chocolate branco pode, doutor?" Desfazendo mitos sobre o chocolate branco.



Em primeiro lugar, temos que esclarecer um fato que pouca gente sabe: chocolate branco não é chocolate. Sim, isso mesmo, chocolate branco não é chocolate: ele é feito a partir da manteiga do cacau, com leite, açúcar e outros ingredientes. O chocolate Galak®, por exemplo, que fez a infância de muita gente, é feito de "açúcar, leite em pó, manteiga de cacau, lactose, gordura vegetal, emulsificantes lecitina de soja e ricinoleato de glicerila e aromatizante." - informação que consta no site do fabricante

Em geral é isso mesmo: chocolate branco não leva cacau em sua composição e, por isso, tecnicamente não pode ser considerado chocolate. Outro ponto importante é que boa parte das propriedades benéficas do chocolate estão ligadas aos compostos bioativos presentes no cacau - que o chocolate branco na melhor das hipóteses possui traços ou não tem nenhum, no depender do processo de fabricação utilizado. Comparando algumas marcar de chocolate preto e branco de um mesmo fabricante ao escrever este post (coloquei as informações nutricionais abaixo). Ficou fácil reparar que as marcas que comparei possuem mais ou menos a mesma quantidade de calorias (ao redor de 127-139 kcal) e carboidratos (14 gramas) por porção (25 gramas ou quatro quadradinhos). O chocolate branco é portanto, uma espécie de "coisa parecida com chocolate" que não possui nenhum dos benefícios do chocolate com cacau. Por isso mesmo, o chocolate branco é um alimento que não faz muito sentido do ponto-de-vista de uma estratégia alimentar saudável, incluindo Paleo.

Além disso, não existe base para as alegações de que este teria propriedades "emagrecedoras". Ele é, na melhora das hipóteses, um doce como outro qualquer, que pode ou não ser consumido dentro de um plano alimentar individualizado - dependendo do objetivo traçado junto ao profissional de saúde que lhe acompanha. 

Galak®:


Ao Leite da Nestlè®:


Meio Amargo da Nestlè®:


domingo, 21 de junho de 2015

Princípios da Medicina Ortomolecular - Parte 2


Após a publicação do post sobre Princípios da Medicina Ortomolecular, eu recebi várias perguntas em minha página do Facebook e achei melhor respondê-las aqui como um post novo. Uma dúvida/pergunta que se repetiu foi "quais suplementos você recomenda". Para responder esta pergunta teremos de falar de um dos princípios que da medicina ortomolecular que ainda não abordamos que é o princípio da individualidade bioquímica humana. 

Princípio número 4:

Respeito à Individualidade Bioquímica de cada um.



O princípio da individualidade bioquímica humana estabelece que cada ser humano é diferente em termos não só da composição bioquímica do seu organismo, bem como em termos de resposta aos estímulos ambientais. Por "estímulos ambientais" entendemos não só os alimentos e nutrientes mas também outros estímulos como: luz (solar e artificial), movimento, relacionamentos, carga de trabalho, etc. Cada ser humano é único em sua individualidade: isto significa que se colocarmos diferentes pessoas diante dois mesmos estímulos, elas muito provavelmente terão diferentes respostas a estes estímulos. 

Esta característica da espécie humana, por um lado, é muito positiva, pois é o que torna a espécie humana extremamente adaptável ao seu ambiente, mas por outro lado impede que possamos prever uma resposta padrão para um determinado nutriente ou suplemento. Por esse motivo, não podemos dizer que existe um suplemento que seja bom para todas as pessoas, ou que seja igualmente recomendado para todas as pessoas - dizer isso seria contrariar o princípio da individualidade bioquímica humana no qual a medicina ortomolecular se fundamenta.

"Todos devem tomar Yakult"?



Quando eu era criança relativamente mais jovem, lembro de uma propaganda que passava na televisão e que terminava com os seguintes dizeres: "todos devem tomar yakult". Yakult, como todos sabem,  é um produto é feito a partir de leite fermentado e adoçado e que contém probióticos (bactérias boas para o nosso intestino). Se me perguntarem hoje se "todos devem tomar yakult" a minha resposta como médico é obviamente não: yakult é feito, como eu já já mencionei, a partir de leite fermentado e adoçado. Daí já podemos inferir que pessoas intolerantes à lactose e diabéticos possuem evidentes limitações no consumo desse produto. 

Eu usei aqui um exemplo baseado em uma propaganda antiga - e completamente datada - mas hoje em dia nós vemos que exatamente a mesma situação envolvendo outras substâncias e suplementos. Defender o uso de uma substância (mesmo sendo um mineral, vitamina ou suplemento) por toda uma população é tão absurdo quanto dizer que todos devem tomar Yakult. 


Por este motivo, quando vemos um determinado autor defendendo o que todos devem tomar tal substância o que vemos ali não é medicina ortomolecular pois falha em obedecer o princípio básico do respeito à individualidade bioquímica humana.


Na prática:


Nem todos devem suplementar Vitamina D.

Nem todos devem consumir Chia.
Nem todos devem usar este ou aquele suplemento ou vitamina ou hormônio. 

Cada pessoa é um indivíduo e possui necessidades particulares. 



Princípio número 5:

"Doses certas no tempo certo."


"Doses certas no momento certo" é uma expressão utilizada por Linus Pauling, o criador da Medicina Ortomolecular. Em linhas gerais, este princípio estabelece que existe um momento certo para a utilização de suplementos. Por "momento certo" me refiro não só as circunstâncias das nossas vidas como também ao momento do dia para a melhor utilização.

É muito fácil de se entender que a taxa de absorção e metabolismo de nutrientes e/ou suplementos  de uma pessoa submetida a um determinado nível de stress muito provavelmente não será a mesma de uma pessoa submetida a um nível muito mais alto ou muito mais baixo. Por isso mesmo é importante avaliar as condições de vida de uma pessoa antes de iniciar qualquer abordagem  de suplementação 


Também devemos considerar aqui que os diferentes suplementos possuem momentos ótimos de utilização: desta forma, determinados suplementos terão melhor aproveitamento se utilizados, por exemplo, à noite antes de deitar e outros, ao contrário, logo cedo pela manhã.


Além disso, muitos nutrientes competem um com o outro pela absorção, de forma que se ingeridos simultaneamente um poderá anular ou diminuir o efeito do outro.


Para citar apenas um exemplo: o cálcio é antagonizado pelo fósforo (outro mineral). Uma aplicação prática deste conceito, uma vez que nós encontramos o fósforo em alta concentração nos refrigerantes à base de cola, qualquer pessoa que esteja fazendo reposição de cálcio é dever a evitar é abolir que atualmente é qualquer refrigerante - o que sabemos que nem sempre acontece. 



Conclusão:


A prática ortomolecular é uma abordagem altamente individualizada que depende do feedback e do permanente contato e troca entre o médico e o paciente, de forma a conhecer e adaptar o conhecimento e experiência do profissional à individualidade. Não existem fórmulas "prontas" pois cada organismo é único e possui diferentes necessidades.

Como já dissemos antes, o fato de não existirem soluções "mágicas" não significa que não existam soluções ou que estas soluções sejam necessariamente "difíceis". Tudo começa sempre com a decisão de mudar e com a motivação apropriada.

------------------------------------------------------------------

Esta postagem fecha a sequência sobre Medicina Ortomolecular. Os links para as outras postagens estão abaixo:

1 - O que é Medicina Ortomolecular?

2 - Princípios da Medicina Ortomolecular (Parte 1)

Se este blog foi útil a você, por favor nos ajude a divulga-lo, compartilhando este post nas suas redes sociais pelo botões abaixo. Você também pode curtir a minha Página no Facebook ou me seguir no Instagram e ficar atualizado com as novidades do blog. Se você tem dúvidas sobre um dos pontos abordados acima ou perguntas que gostaria de ver respondidas por aqui, favor deixar um comentário. Elas serão avaliadas como tema de futuros posts. Obrigado!

domingo, 10 de maio de 2015

O que é Compulsão Alimentar?




Se denomina compulsão alimentar o comportamento alimentar caracterizado pela ingestão de grande quantidade de comida em um período de tempo delimitado (até 2 horas), acompanhado da sensação de perda de controle sobre o quê ou o quanto se come, é conhecido em inglês como "binge eating" – em português, compulsão alimentar (CA).

Quando os episódios de compulsão alimentar ocorrem em, PELO MENOS, 2 dias por semana, num período de 6 meses, ASSOCIADOS a algumas características de perda de controle e NÃO SÃO acompanhados de comportamentos compensatórios dirigidos para a perda de peso, indicam, a presença de uma síndrome denominada Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica (TCAP).

O transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) foi descrito pela primeira vez nos anos 1950 (1), mas só foi reconhecido como transtorno propriamente dito em 2013, quando aparece descrito como tal no DSM-5 - Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais 5.ª edição, publicado pela American Psychiatric Association (Associação Americana de Psiquiatria),

De acordo com a Binge Eating Disorder Association, 3,5 % das mulheres , 2 % dos homens e 30 % a 40 % dos que procuram tratamentos de perda de peso podem ser diagnosticado clinicamente com TCAP.

Abaixo, os critérios previstos no DSM-5 para Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica.


Critérios Diagnósticos para TCAP (DSM-5):

A. Episódios recorrentes de compulsão alimentar. Um episódio de compulsão alimentar é caracterizado por ambos os seguintes critérios:
1. Ingestão, em um período limitado de tempo (por exemplo, dentro de um período de 2 horas), de uma quantidade de alimentos definitivamente maior do que a maioria das pessoas consumiria em um período similar, sob circunstâncias similares;
2. Um sentimento de falta de controle sobre o episódio (por exemplo, um sentimento de não conseguir parar ou controlar o que ou quanto se come).
B. Os episódios de compulsão alimentar estão associados a três (ou mais) dos seguintes critérios:
1. comer muito e mais rapidamente do que o normal;
2. comer até sentir-se incomodamente repleto;
3. comer grandes quantidades de alimentos, quando não está fisicamente faminto;
4. comer sozinho por embaraço devido à quantidade de alimentos que consome;
5. sentir repulsa por si mesmo, depressão ou demasiada culpa após comer excessivamente,
C. Acentuada angústia relativa à compulsão alimentar.
D. A compulsão alimentar ocorre, em média, 1 dia por semana, durante 3 meses.
E. A compulsão alimentar não é associada com o recorrente uso de comportamentos compensatórios inapropriados como na bulimia nervosa e não ocorre exclusivamente durante o curso da bulimia nervosa ou anorexia nervosa.

Referências:

(1) STUNKARD, A.J.- Eating patterns and obesity. Psychiatr Q 33: 284-94, 1959.
(2) Swanson SA, Crow SJ, Le Grange D, Swendsen J, Merikangas KR. Prevalence and correlates of eating disorders in adolescents. Results from the national comorbidity survey replication adolescent supplement. Archives of General Psychiatry. 2011;68(7):714–723.

domingo, 5 de abril de 2015

"Com o que se parecem 2000 calorias?" - Vídeo

Surfando pela web, me deparei com este vídeo, já datadinho (2013), que mostra, visualmente, o que são 2000 calorias em termos de alguns alimentos bem comuns (e outros, não tão comuns por aqui, que só se vêem nos Estados Unidos). Embora, como disse, o conceito seja um pouco "datado" - uma vez que o conceito de densidade nutricional dos alimentos está, pouco a pouco, ocupando o seu espaço em relação ao conceito de densidade calórica - ainda assim, como diria uma famosa emissora televisiva brasileira, " Vale a Pena Ver de Novo". Boa Páscoa! :)