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quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Brócolis é Paleo? (IMPORTANTE: responda a pergunta antes de ler o post!)

Em relação à pergunta acima, eu gostaria de lhe propor um desafio: responda em voz alta antes de ler o restante do post. O motivo vai ficar bem óbvio depois mas, por ora, eu peço que confie em mim e que responda a pergunta - e não, não responda apenas mentalmente. Fale em voz alta, se possível (e não for gerar estranheza nos circunstantes) ou dê um jeito de anotar a resposta em algum lugar, Ok?

Tanto o brócolis, como a couve-flor, o repolho, a couve-de-bruxelas e a simples couve, são todos derivados da couve silvestre (Brassica oleracea var. silvestris), como resultado de um processo artificial de seleção que vem ocorrendo desde o século 6 a.C. 


Considerando que o Paleolítico se inicia 2,5 milhões de anos atrás e termina por volta de 20.000 anos atrás, poder-se-ia levantar a dúvida se o brócolis caberia dentro de uma abordagem Paleo da alimentação ou não. Loren Cordain, o autor de The Paleo Diet, e  pioneiro do moderno movimento de dieta paleo (eu escrevo sem acento mesmo - "paleo" e não "páleo") lista o brócolis como parte de um cardápio paleo em seu post "WHAT TO EAT ON THE PALEO DIET" - traduzindo, "O que comer em uma Dieta Paleo" . Robb Wolf chega a propor algumas receitas bastante apetitosas. Veja aqui. 

Então, o brócolis é paleo ou não? Se considerarmos que a Dieta Paleo é uma busca de recriar as condições de alimentação do Paleolítico com alimentos disponíveis na atualidade, o brócolis cabe muito bem em uma abordagem paleo.

Sabemos que é impossível recriar integralmente as condições de vida do Paleolítico pois muitas das plantas e animais já não existem ou forma substancialmente modificados - pela ação humana na maioria das vezes. 

Chris Kesser - autor de The Paleo Cure - já sugeriu, inclusive, que se falasse menos em "Dieta" Paleo e sim em "Template" Paleo (veja  a este respeito o post Beyond Paleo: moving from a “paleo diet” to a “paleo template"), uma vez que o termo "Dieta" possui uma associação bastante negativa em nossa cultura. 

Falarei disso em outro post. Por ora, continuarei comendo o meu brócolis sossegado. Forte abraço!

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

O que é a Dieta Pegan?


"O que devo comer para se sentir bem, perder peso e permanecer saudável?" - esta é a pergunta que abre o artigo "Por que eu sou um Pegan - ou Paleo-Vegan - e por que você deve ser também!", do médico americano Dr. Mark Hyman. A resposta a esta pergunta, dada pelo Dr. Hyman, bem entendido, seria a Dieta Pegan, que, segundo ele, combinaria as abordagens Paleo e Vegan (Pegan = Paleo + Vegan). Mas como seria isso exatamente? Bom, o texto abaixo é a tradução livre (minha) de um trecho da página do blog do Dr. Hyman na qual ele explica os conceitos envolvidos na abordagem Pegan (coloquei o link para o artigo original logo abaixo para quem se interessar em ler mais sobre):

>> INÍCIO DA TRADUÇÃO DO TEXTO DO DR. HYMAN

"Concentre-se na carga glicêmica de sua dieta. Isso pode ser feito em uma dieta vegan ou paleo, mas fica mais difícil em uma dieta vegan. Concentre-se em mais proteínas e gorduras. Nozes (amendoim não), sementes (linhaça, chia, cânhamo, gergelim, abóbora), coco, abacate, sardinha, azeite de oliva. 
Coma as gorduras certas. Fique longe de a maioria dos óleos vegetais como canola, girassol, milho e, especialmente, óleo de soja, que agora compreende cerca de 10 por cento das nossas calorias. Foque, ao invés disso, nas gorduras omega 3, nozes, coco, abacate e até mesmo gordura saturada de animais alimentados com capim ou criados de forma sustentável. 
Coma principalmente plantas - montões vegetais e frutas de baixo índice glicêmico. Isso deve compor 75 por cento de sua dieta e de seu prato. (...) 
Concentre-se em nozes e sementes. Eles estão cheios de proteínas, minerais e gorduras boas e diminuem o risco de doenças cardíacas e diabetes. 
Evite produtos lácteos - é para o crescimento de bezerros em vacas, não para os seres humanos. Tente cabra ou de ovelha produtos e apenas como um deleite. E sempre orgânico.
Evite o glúten - (...) se você não for sensível ao glúten , então considere-o um deleite ocasional.
Coma cereais integrais sem glúten ocasionalmente - eles podem elevar o açúcar no sangue e podem desencadear autoimunidade.
Coma feijão com moderação - lentilhas são as melhores. Fique longe de grandes grãos de amido. Comer carne ou produtos animais como um agrado, e não como o prato principal. Leia The Third Plate por Dan Barber para compreender como mudanças em nossos hábitos alimentares poderia salvar o meio ambiente e a nós mesmos. Os vegetais devem tomar o centro do palco e carne deve ser um acompanhamento. 
Pense no açúcar como um deleite ocasional - em todas as suas várias formas (ou seja, use ocasionalmente e com moderação)."

>> FIM DA TRADUÇÃO DO TEXTO DO DR. HYMAN

O TEXTO ORIGINAL INTEGRAL você encontra aqui: 
http://drhyman.com/blog/2014/11/07/pegan-paleo-vegan/

MINHA OPINIÃO:

Pontos positivos:

O Dr. Hyman reúne conceitos bem interessantes na sua abordagem "Pegan" - o mais forte é, na minha visão, unir a preocupação com a saúde do indivíduo com a preocupação relativa à saúde do Planeta (sustentabilidade). A preocupação em promover a conscientização acerca da carga glicêmica dos alimentos, sobre o papel das gorduras "boas", etc. é, também, louvável e meritória, como todo profissional de saúde sabe muito bem. A flexibilidade da abordagem Pegan também chama bastante a atenção: no trecho acima fica claro, mesmo para quem não leu todo o artigo, que existe espaço para o uso ocasional de alimentos quase que universalmente considerados "ruins" pela blogosfera, mundial. Isso nos mostra que a moderação é a chave - e para muitas coisas da vida além da alimentação. 

Ponto(s) negativo(s):

Do ponto-de-vista de relações públicas, a Dieta Pegan me parece um beco-sem-saída. Existem aqui dois aspectos a considerar: e ambos ruins. Muito possivelmente, o público Vegan jamais entenderia a abordagem Pegan como algo remotamente parecido com a abordagem Vegan - que se abstém completamente de qualquer produto de origem  animal: carne, leite, ovos, etc. Por outro lado, o público Paleo, na minha visão, dificilmente a entenderá como uma modificação suficiente do estilo de vida Paleo para merecer um nome distinto ("Porque não chamar simplesmente de 'Paleo com menos carne'?", alguém poderia perguntar - "Low-Meat Paleo", quem sabe?). 

A despeito destas dificuldades, a Dieta Pegan tem tido alguma atenção na imprensa internacional e poderá, em breve, estar aportando por aqui, quem sabe? 

E você, qual a sua opinião? Por favor deixe nos comentários abaixo. Forte abraço!



segunda-feira, 24 de agosto de 2015

"Chocolate branco pode, doutor?" Desfazendo mitos sobre o chocolate branco.



Em primeiro lugar, temos que esclarecer um fato que pouca gente sabe: chocolate branco não é chocolate. Sim, isso mesmo, chocolate branco não é chocolate: ele é feito a partir da manteiga do cacau, com leite, açúcar e outros ingredientes. O chocolate Galak®, por exemplo, que fez a infância de muita gente, é feito de "açúcar, leite em pó, manteiga de cacau, lactose, gordura vegetal, emulsificantes lecitina de soja e ricinoleato de glicerila e aromatizante." - informação que consta no site do fabricante. 

Em geral é isso mesmo: chocolate branco não leva cacau em sua composição e, por isso, tecnicamente não pode ser considerado chocolate. Outro ponto importante é que boa parte das propriedades benéficas do chocolate estão ligadas aos compostos bioativos presentes no cacau - que o chocolate branco na melhor das hipóteses possui traços ou não tem nenhum, no depender do processo de fabricação utilizado. Comparando algumas marcar de chocolate preto e branco de um mesmo fabricante ao escrever este post (coloquei as informações nutricionais abaixo). Ficou fácil reparar que as marcas que comparei possuem mais ou menos a mesma quantidade de calorias (ao redor de 127-139 kcal) e carboidratos (14 gramas) por porção (25 gramas ou quatro quadradinhos). O chocolate branco é portanto, uma espécie de "coisa parecida com chocolate" que não possui nenhum dos benefícios do chocolate com cacau. Por isso mesmo, o chocolate branco é um alimento que não faz muito sentido do ponto-de-vista de uma estratégia alimentar saudável, incluindo Paleo.

Além disso, não existe base para as alegações de que este teria propriedades "emagrecedoras". Ele é, na melhora das hipóteses, um doce como outro qualquer, que pode ou não ser consumido dentro de um plano alimentar individualizado - dependendo do objetivo traçado junto ao profissional de saúde que lhe acompanha. 

Galak®:


Ao Leite da Nestlè®:


Meio Amargo da Nestlè®: